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Opinião A outra: a estória dolorosa de ser... a própria! - Celso Malavoloneke
A outra: a estória dolorosa de ser... a própria! - Celso Malavoloneke PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Terça, 30 Junho 2009 22:29

Jissabu!
 
Amor! Ainda lembras-te de quem sou?
 
Eu sou aquela por quem te apaixonaste há mais de 500 anos. Foi esse tempo todo que durou o nosso romance. Escondidos nos matagais, nadando pelos frescos e límpidos lagos e abraçados às montanhas faziamos amor profundo à luz de luares prateados. Misturando os suores, os gritos e gemidos de prazer e a paz final da saciedade.
 
De dia, sob os raios dourados de um sol glorioso, marchávamos e combatíamos juntos, juntando no mesmo sangue os mesmos medos, entretanto afogados numa vaga irresistível de orgulho e esperança. Ah! Que tempos belos aqueles em que apaixonado baptizaste-me heróica e generosa. Heróica pelos sacrifícios consentidos junto contigo, combatendo e sofrendo seguros da profundidade da nossa esperança; generosa na maneira como me entregava a ti, aos teus sonhos, às tuas exigências: Sem reservas, sem medos nem receios, tão forte era o nosso casamento.
 
Que dia glorioso aquele em que, finalmente, depois de 500 anos de namoro, fecundada pelo teu sémen milenar, nasceu finalmente a filha que querias. A filha pela qual tanto tinhas lutado e tanto me tinhas amado: à quem deste o nome de Independência da Pátria Sagrada. Lembras-te desse dia?
 
Lembras-te como, ainda pequena já nos quiseram roubar ou, quem sabe, matar mesmo a nossa querida e linda filha? Como ficaste furioso? Como, heróico de monacaxito na mão, raiva nos olhos e justiça no coração avançaste glorioso rugindo a tua razão até que todos eles fugiram? Oh! Como te amei nesse dia! Prostrada ainda pelo esforço do parto mas atenta à galhardia do teu passo de guerreiro vitorioso proclamando a paternidade da filha cobiçada... como te amei então, meu herói!
 
A nossa filha crescia, de linda e viçosa sempre cobiçada. Mas tu, guerreiro invencível e pai generoso protegias os seus primeiros passos com a força da tua presença. Derrubavas inimigos com a presença da tua força. Amavas a família – nós –  com a paixão que só pode caber no coração de um guerreiro valente e vitorioso. E o nosso casamento – o meu contigo, e do teu coração com a nossa família – tinha a força da rocha de Npungu-a-Ndongo; a suavidade das areias do Namibe. A tua força, protegia-nos como as sombras do Maiombe. E nós te víamos belo e magestático como a Fenda da Tundavala repousando a mão na curva da cintura da Serra da Leba. Lembras-te, meu amor?
 
Depois chegou a Outra, e tu partiste. Deixaste-nos. Esquecido de nós, à Outra deste casas, carros, luxos e benesses. Ela passeia-se sob as luzes da ribalta, coberta de roupas e jóas caras, rodeada por cortes que lhe beijam os pés e cantam as hossanas. Nós – eu e a tua filha – vagueamos deserdadas cobertos de farrapos, com vergonha da nossa miséria. Olhadas de esqguelha por aqueles que nos viram crescer sob a tua protecção gloriosa, eis-nos agora deserdadas do teu amor, da tua protecção, da tua presença. Conosco mal falavas e quando o fazias era para, aos gritos aumentar ainda mais a dôr já profunda nos nossos pobres corações. Até à força chegaste a tirar o pouco que nos tinhas deixado, indiferente às nossas súplicas, à nossa raiva, ao nosso desespero. À nossa impotência.
 
Até que um desses dias então voltaste. Lindo e sedutor, meu herói, sussurraste-me as mesmas palavras de amor que, tu sabes, sempre me deixaram louca por ti. Rendida aos teus encantos, acreditei-te retornado aos meus braços amorosos e à necessidade dos cuidados que a nossa filha – a Independência da Pátria Sagrada – já há muito reclamava da força guerreira do teu coração.
 
Deixei-me novamente amar por ti e outra vez marchei contigo quando, de espada flamejante na mão  e escuso reluzente ao peito, marchaste valente para mais uma das tuas épicas batalhas. Comigo a teu lado, fizeste ouvir mais uma vez o rugido rompante do leão vitorioso que dorme no teu peito. Saciada e orgulhosa por vencer contigo, preparei-me então para uma segunda lua de mel. O mel da renovação das nossas promessas de amor eterno.
 
Mas parece que a Outra chama-te outra vez, e já te vejo inquieto, quase a responderes à sua voz melíflua. Sinto que vais deixar-nos, outra vez cobertas da vergonha de termos-te acolhido depois de teres-nos deixado no passado. Amor, peço-te, não te vás outra vez. Fica conosco, meu herói...
 
Lembras-te de mim? Eu sou aquela que noivou contigo 500 anos. A Heróica e Generosa. Fecundada por ti, pari a filha a que deste o nome de Independência da Pátria Sagrada.
 
E tu? Ainda lembras-te de quem és?
 
Fonte: LAC

Comentários (7)add comment

Liberdade :

0
...
este senhor está a ficar marado, não houve nada esse amor de 500 anos que exalta no seu artigo, houve sim fogo, espada e sangue, luta, matanças, raptos, escravização, perseguições, prisões e campos de concentração, se isso é amor então já não entendo nada.

Agora olham de novo para nós com os mesmos olhos, os dum corpo e sangue a que o colonialismo é congénito, é a sua natureza, assim fizeram o próprio território que hoje é portugal, conquistando e ocupando terras a sual do rio tejo.

Por favor não transform em idilica uma história de dominação e terror.

Honre-se auqeles que lhe resistiram mesmo que tenham sido vencidos.
 
01 de Julho de 2009
Votos: +0

Liberdade :

0
...
nem há esse amor de quem traiu e voltou. Não há o tal herói a quem, pronto para a submissão, queiramops apelar.

Há sim ainda a mesma dignidade que hoje ainda sofre calada a traição. Já esse objecto do apelo do articulista um outro igual aos outros que sempre nos devoraram tudo. Estão de volta com ele.

Alguém já disse e é a verdade: o jindungueiro nunca dará laranjas doces, a sua natureza só pode produzir jindungo.

A verdade da sua natureza está aí na riqueza de meia dúzia, os donos do país que comem tudo e não deixam nada, nem mesmo para muitos que o servem ainda alienados. A verdade da sua natureza está aí na pobreza geral que aprofundou e preserva à vista das suas armas prontas a bater quem de entre os pobres ou pelos pobres se levantar.

A nossa natureza de seres livres á a unica que pode produzir liberdade, justiça e bem estar geral.

Podes gritar aos céus que esse a quem apelas impávida e serenamente surdo e mudoi não te escutará mais nem a nenhum de nós, é mudo e surdo para as nossas necessidades e exigências. já só ouve o império sob cuja dominação se vergou, ajoelhou pedindo-lhe para ser seu servo.

As evidências estão aí, todas. Não é de pedinchices que carecemos mas da acção, vigorosa, que nos devolva a terra e a soberania. A soberania só ao povo pertence, é o único soberano, esse a quem rebaixando-te rogas, só a exerce por delegação, não está a honra-la, temos que a retomar.

Alguém disse que contra milhões ninguém combate.
Espero que ele entenda bem isto e não nos obrigue ao combate porque seremos exigentes, queremos dignidade, não queremos que o que é nosso abusivamente nos seja dado como esmola.

Erga-se, levante-se homem. Não está perante algum Deus mas só mesmo perante outro homem que, por mais forte que seja, será vencido pelos que se levantarem e nunca pelos que se ajoelharem aos seus pés como pedinchões.

As fileiras de combatentes estão a crescer, vão crescer mais à medida que a pobreza e a exclusão crescerem e se aprofundarem.

Queremos Angola porque é nossa, a soberania é do povo, é nossa também. façamos do país a terra de todos, temos o dever de com determinação inflexível por fim ao endocolonialismo que de novo instalou a velha dor que nos persegue desde o colonialismo português, de onde inclusivé, de novo, estão a vir os sustentadores da nossa exclusão.
 
01 de Julho de 2009
Votos: +0

Cidadão pela Dignidade :

0
...
concordo não devemos pedir nem aceitar o que nos cabe por direito como se fosse uma esmola. Devemos exigi-lo ou toma-lo.

Z
 
01 de Julho de 2009
Votos: +0

Cidadão pela Dignidade :

0
...
Não queremos caridade queremos DIGNIDADE,

exige DIGNIDADE

Essa é a a atitude que um homem livre deve adoptar.
 
01 de Julho de 2009
Votos: +0

Atento aos discursos :

0
...
Celso visite o link que indico aqui, concorde ou não com o que lá está, ao menos reflicta sobre isso.

Talvez a coisa possa ser dita doutras formas mas ess é a forma do seu autor.

Aquele a quem dirige a sua prece amarrou-se sozinho na sua teia. Daí já não virá a concretização das nossas aspirações.

Sei que está acordado mas, por favor, pelo menos não discurse como se estivesse adormecido.

http://club-k-angola.com/index.php?option=com_content&task=view&id=892&Itemid=53


 
01 de Julho de 2009
Votos: +0

Muhanda :

0
excelente
excelente prosa, poema ou seja o que for chamado. criticas nao-construtivas, soh daqueles que ah primeira palavra desta escritura tinham os olhos e a mente fendados, e ah ultima palavra, continuaram fendados. excelente, excelente, excelente...
 
02 de Julho de 2009
Votos: +0

M :

0
...
o problema não é a qualidade da prosa, aliá o problema não é a prosa seja ela boa ou má, o problema é o ajoelhar triste rogando caridade quando o que se visa é de direito.

Mas já pouca gente sabe distinguir entre a a dignidade da exigencia de direitos e o pedido encarecido dum a esmola pelo mendigo.

Angola tornou a pátria de muitos mendigos, incluindo daqueles que mal ou bem apedem em prosa.


 
03 de Julho de 2009
Votos: +0

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Guarda Presidencial convocada de emergência
NAO FAZ SENTIDO ATACAREM-SE UNS AOS OUTROS ATAQUEM OS BANDIDOS Q SE DIZEM DIRIGENTES DUMA TAO LINDA NAÇAO Q ESTAO DESTRUIR A OLHOS ABERTOS. SEMPRE COM REMODELAGEM E MAIS E SEGUE PIOR A SITUAÇAO EM ANGOLA. ESSES "SPERA NJIPE" KWANHAMAS E TCHOKWES Q NEM SEQUER CONHECEM UMA LETRA NO TAMANHO DUM BURRO...
Carolina Cerqueira constata divergências interna...
Estao-se a guerrear pela unica fabrica de papel egienico garantido em todas a s casas, bares, lanchonetes, cinemas etc... de Angola enquanto outros se juntam para saquearem melhor o herario publico que ateh na morte nao querem se divulgar. Haja juizo que ja nao sao kandemgues!
Salomão Xirimbimbi apontado futuro Governador do ...
Esse Xirimbimbi é muito querido pelos Namibenses.Eles podem ser o que são esse é muito querido dos Namibense

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