| “Alevantados em Toussaint” - Nelson Pestana |
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| Sábado, 06 Fevereiro 2010 13:36 | ||||||||||||
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Luanda - Quando caiu a noticia, não quis acreditar. O Haiti tinha sido arrasado por um terramoto de sete graus, na escala de Richter (sismólogo americano que em 1935, juntamente com Beno Gutemberg, estabeleceu uma escala, de um a nove, para medir a magnitude dos abalos sísmicos). Uma testemunha ocular, que gravou o momento do tremor, perante a enorme nuvem de pó, em que se transformou Porto Príncipe, gritava desesperada se não seria aquilo o fim do mundo. Era verdade, em parte, para muitos milhares de pessoas o fim do mundo estava ali. Fonte: AGORA
Quando li este poema, nos idos de 1974/75, para melhor o compreender, entre outras coisas, fui à procura destes dois nomes. Descobri então o “imperador” dos escravos que comandou a mais audaciosa revolta contra a potência colonial francesa, mas, descobri também, entusiasmado, o grande romancista e revolucionário Jacques Roumain, autor do belo romance “Os Governadores do Orvalho” (Les gouverneurs de la rosée) que li com sofreguidão, tolhido pela sua força narrativa. Seguiu-se a biografia do autor, onde encontrei um exemplo de luta pela dignidade, contra a injustiça e pela liberdade. Preso várias vezes; em 1929, em 1933 e em 1934, desta vez, na sequência da publicação de um ensaio político e social, “Análise esquemática 32-34” (Analyse schématique 32-34). Desde cedo se destacou, ao escrever para a Revista Indígena (Revue Indigène) (1927) que ajudou a criar, aos 20 anos de idade, e onde publicou poemas, novelas e traduções. Em seguida vieram sucessivamente La proie et l'ombre, La montagne ensorcelée e Les fantômes. Fundou e liderou o Partido Comunista Haitiano (1934), sendo depois obrigado, na sequência de três anos de cadeia (1934-1937), a deixar o Haiti, por um período. Vai para a Bélgica e, logo de seguida, se instala em Paris, onde estuda Etnologia e Panteologia, na Sorbonne e no Museu do Homem, respectivamente. Colabora também em várias revistas como Regards, Commune, Les Volontaires e publica “As queixas do homem negro” (Les griefs de l'homme noir), numa colectânea intitulada “O Homem de cor” (L'homme de couleur). Com o estalar da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Jacques Roumain parte para os Estados-Unidos, onde se inscreve na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, prosseguindo seus estudos científicos e a colaboração com várias revistas. Não tendo deixado de viajar, faz uma longa estadia, de quase um ano, em Havana, ao lado do grande poeta cubano Nicolás Guillén. Volta ao Haiti, em 1941, e dirige o Centro de Etnologia da República do Haiti que ele próprio funda. O seu trabalho de investigação resulta na publicação, sucessiva, dos estudos Autour de la campagne anti-superstitieuse e Contribution à l'étude de l'ethno-botanique précolombienne des Grandes Antilles (1942), e do livro Le sacrifice du tambour Assoto (1943). Morre no ano seguinte, aos 37 anos de idade, um mês depois de ter publicado o seu grande romance “Gouverneurs de la rosée.
Em 1977, o Haiti atravessa um forte período de fome, a situação social é cada vez mais grave e dá lugar a intervenção humanitária. No início dos anos 1980, cresce o movimento de contestação que começa a ser enquadrado pela igreja católica. Em 1984, estalam levantamentos e tumultos que se multiplicam, por todo lado, e levam o ditador, a fugir para França, em Fevereiro de 1986, dando lugar a uma transição política caótica. O movimento democrático haitiano, uma coligação composta de diversos partidos, organizações, sindicatos, movimentos sociais, grupos comunitários e personalidades políticas, de vários horizontes, com o forte apoio dos Estados Unidos, impulsionam a passagem para um sistema de liberdade e participação dos cidadãos na vida política do país e do primado da lei. Mas, o país se desencontra mais uma vez, e, por vezes, repete “o duvalierismo sem Duvalier”, em meio, de vários interesses conflituantes, da sobrevivência dos grupos de poder anteriores, de uma forte pressão popular e da direcção dos militares. Neste contexto, a “abertura democrática” surge como o resultado frágil de um confronto permanente entre, por um lado, o poder militar e as forças conservadoras e, por outro, o movimento dos apoiantes da mudança, tornando o espaço da luta política instável e perigoso. Manifestações e greves traduzem-se em feridos e mortes, enquanto os grupos de poder procuram controlar e disciplinar o espaço político pelo rapto e o assassinato dos seus adversários. A 29 de Março de 1987 é referendada uma Constituição com mais de 99,8% de votos favoráveis. A pressão interna e o apoio internacional (político, financeiro, logístico e policial) vão conduzir o país a eleições e a uma demarcação clara dos campos em confronto. Estas eleições - fortemente observadas por várias missões estrangeiras – dão como vencedor, a 16 de Dezembro de 1990, Jean-Bérnard Aristides, padre que se notabilizou pelo seu trabalho junto das periferias muito pobre de Porto Príncipe, cuja candidatura foi apresentada tardiamente, mas que rapidamente reagrupou todos os que se opunha ao “macutismo” e desejavam que o país se encaminhasse para a democracia, o progresso e a justiça social, recolhendo 67,7% dos votos.
O novo presidente, representando uma grande esperança para o “pequeno povo”, vai ter que enfrentar duas forças poderosas como os militares e os detentores do poder económico que afastados do espaço institucional, procuram uma reorganização para a defesa dos seus interesses em outros espaços e, nomeadamente num bom número de colectividades territoriais.
O Estado Democrático de Direito, não tendo saído ainda do papel e do mundo das utopias das classes baixas, minado, durante anos a fio, pelo clientelismo “macutista”, debate-se com a falta de quadros competentes e honestos. Por outro lado, a vontade de mudança deste novo governo nem sempre pode ser concretizada por insuficiência de meios financeiros e inadequação dos mecanismos politico-administrativos. A política de mudança vai pois centrar-se em dois grandes objectivos: o reajustamento económico-financeiro e a reorganização dos aparelhos político-administrativos, nomeadamente a adequação das forças armadas ao Estado democrático de direito. O que conduz a um clima favorável à reconstrução e desenvolvimento do país, ao respeito das liberdades e dos direitos dos cidadãos e à luta contra o tráfico. Esta oportunidade vai-se perder por um golpe de Estado militar e o afastamento de Aristide do poder. Este há-de retornar mas embrulhado em múltiplos compromissos e a instabilidade há-de desaproveitar ao povo haitiano, como sempre.
Agora, depois de perto de duas décadas de desencontros e um retorno pouco seguro à normalidade constitucional, protagonizada por René Preval, o actual presidente, apoiado nas forças da ONU, este pequeno Haiti, pátria também de René Depestres, amigo de Mário Pinto de Andrade e de Angola, faz a manchete de todos os meios de comunicação, no mundo, devido ao terramoto que o despedaçou. Este país, onde a pobreza é muito grande e muito agressiva, recebeu, nas vésperas deste desastre, a doutora Zilda Arns, a médica brasileira que se notabilizou na luta contra a pobreza, no seu país e em mais de vinte outros países (entre eles Angola) ao fundar a Pastoral da Criança. Quis a ironia do destino que esta heroína contemporânea que estava lá para levar esperança e vida, morresse esmagada pelas paredes da Catedral de Porto Príncipe, carregando ainda mais de simbolismo, para mim, esta catástrofe natural, pois eu tinha, há uns anos atrás, conhecido a sua obra, em São Paulo. Estava agendado um encontro, em Curitiba, mas não foi possível. Depois, ela visitou o nosso país para impulsionar a obra da Pastoral da Criança local.
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Kuribota
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Faz-me lembrar um certo País... Bonavena sempre a surpreender-nos com o seu conhecimento profundo... é preciso saber compreender os erros antigos da História Universal para evitar a sua repetição não desejável! Ignorá-los é continuar a caminhar para o abismo! O Aristide devia aproveitar agora para meter os Generais na ordem, com os Marines todos que lá estão devem estar uns gatinhos de colo... |
Sukuama
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Guardião dos DH
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Na Europa é assim Luta contra o racismo e a xenofobia Antes da entrada em vigor do Tratado de Amsterdão, tinha já sido tomada uma série de medidas contra o racismo e a xenofobia no quadro da política social. Neste contexto, 1997 foi proclamado "Ano Europeu contra o Racismo". A Comissão tinha apresentado um Plano de Acção contra o racismo, em Março de 1998, no intuito de consolidar os resultados de 1997 e de preparar a entrada em vigor do Tratado de Amsterdão. Com a entrada em vigor deste Tratado, o artigo 13º do Tratado que institui a Comunidade Europeia permite combater qualquer forma de discriminação baseada no sexo, raça ou origem étnica, religião ou convicções, deficiência, idade ou orientação sexual. Com base neste artigo, o Conselho adoptou em Junho de 2000 uma importante Directiva que aplica o princípio da igualdade de tratamento entre as pessoas, sem distinção de origem racial ou étnica. Paralelamente ao seu empenhamento na implementação do artigo 13º, a União Europeia prosseguiu os seus esforços no sentido de integrar a luta contra o racismo e a xenofobia em todas as suas políticas, nomeadamente no domínio do Emprego, dos Fundos Estruturais, da Educação, Formação e Juventude. Além disso, o artigo 29º do Tratado sobre a União Europeia, introduzido pelo Tratado de Amsterdão, oferece uma base jurídica para a luta contra o racismo e a xenofobia nos domínios da cooperação policial e judiciária em questões penais. Em Junho de 1997, foi criado em Viena um Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia, que desempenha também um papel importante. A sua principal missão consiste em observar a importância e a evolução dos fenómenos racistas e xenófobos registados no território da União, em analisar as suas causas e em elaborar propostas a dirigir às instituições comunitárias e aos Estados-Membros. O Observatório é responsável pela constituição e coordenação de uma Rede Europeia de Informação sobre o Racismo e a Xenofobia (RAXEN). Além disso, em 21 de Dezembro de 1998, foi concluído um acordo entre a União Europeia e o Conselho da Europa a fim de reforçar a cooperação entre o Observatório e a comissão do Conselho da Europa contra o racismo e a intolerância. |
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Importante Veja o que Jesus disse em Mateus 24:36-39 sobre sua segunda vinda: "Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem." |
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O Haiti é um país pequeno e pobre que tem, sem nunca lá ter estado, um grande significado para mim, por razões ligadas a minha formação (e mesmo identidade) política e nacionalista. Encontrei, digamos assim, este pequeno país, pela primeira vez, pela pena de Viriato da Cruz. Este grande poeta angolano, num dos seus mais belos poemas, “Mamã Negra”, para além de o dedicar “à memória do poeta haitiano Jacques Roumain”, fala de Toussaint Louverture.



ois dias depois, POR ACASO, VI-OS, ELE OS FILHOES A MULHER, A PASSEAREM PELA CIDADE,
O QUE ME ESPANTA ...